jueves, 16 de septiembre de 2010
A recomendação do médico estava errada. Os remédios eram contra-indicados para o tratamento de pedra nos rins. Com o suporte da família consigo a informação correta e começo o tratamento. Os dias passam preguiçosos. Tenho muita vontade de seguir viajando. Desde domingo estou na cidade azul, a segunda maior cidade do Rajasthan. As ruas tem muita vida. O comércio, os hotéis e os restaurantes abrem suas portas à rua. O movimento de pessoas é constante. Religiões e classe sociais diferentes coexistem no mesmo ambiente. Nao posso caminhar muito porque tenho que evitar transpirar(parte essencial do tratamento das pedras é urinar o máximo possível). Passo horas sentado em bares ou cafés observando. Achei uma cafeteria que faz um bom espresso, coisa rara na Índia. O local se chama "Café Espresso" e fica próximo à torre do relógio. Além da qualidade do café o lugar tem ar-condicionado o que para a minha condição atual é perfeito. Entre cafés, cigarros e fotos vou matando o tempo. Mesmo sabendo que o tempo se mata sozinho as vezes é bom ter "armas" para acelerar o processo. Wanna hit the road ASAP!!!
viernes, 10 de septiembre de 2010
eita moça companheira...
vejo o tempo passar,
observo,
só, sozinho, desacompanhado,
mas ela sabe a hora de me fazer companhia,
chega e fica,
presente e ausente,
amiga e inimiga,
faz parte de mim e não tem nem ideia de quem sou,
ela também sabe ficar em silêncio,
só, sozinho, acompanhado,
solidão e eu,
eu e a solidão,
observamos,
juntos vemos o tempo passar,
afinal nós temos todo o tempo do mundo.
observo,
só, sozinho, desacompanhado,
mas ela sabe a hora de me fazer companhia,
chega e fica,
presente e ausente,
amiga e inimiga,
faz parte de mim e não tem nem ideia de quem sou,
ela também sabe ficar em silêncio,
só, sozinho, acompanhado,
solidão e eu,
eu e a solidão,
observamos,
juntos vemos o tempo passar,
afinal nós temos todo o tempo do mundo.
jueves, 9 de septiembre de 2010
há, na vida, algo mais belo que o inesperado?
vago sem rumo nem destino,
caminho em direção ao desconhecido...
sei quando chego sem saber quando parto,
não tenho planos e assim prefiro...
vagando e caminhando,
me perdendo logo me achando...
sigo assim, sem rumo nem destino.
caminho em direção ao desconhecido...
sei quando chego sem saber quando parto,
não tenho planos e assim prefiro...
vagando e caminhando,
me perdendo logo me achando...
sigo assim, sem rumo nem destino.
martes, 7 de septiembre de 2010
parece brincadeira
Acordo sem dor. Espero o contacto do seguro até as 11:00 e nada. Ligo para a central de atendimento cobrando alguma informação. Em dez minutos recebo a notícia que me esperam no hospital Goyal. Ligo para o Sr. Namit para lhe perguntar sobre a qualidade do hospital em questão. Me disse que é o melhor da cidade e que mandaria o seu motorista me buscar no albergue para me acompanhar. Ao chegar sou informado que todos os hospitais e clínicas do estado estão em greve. A secretária se limita a dar essa informação. Ligo para o Brasil para pedir explicações. Como que me mandam ao local sendo que estão em greve. Em meia hora um indiano, responsável pelo meu seguro saúde na Índia, me ligou. Disse que falou com o dono do hospital e que ele aceitara me receber. Pego um táxi e volto. Chegando um segurança abre a porta e me acompanha até o consultório do Dr. Anand Goyal. Despois de conversarmos ele me confirma o diagnóstico, pedra no rim e me encaminha para fazer os exames. O hospital estando vazio pela greve facilita toda a operação. Em uma hora tinha os exames na mão. Resultado: algumas pedras de pequeno porte no rim direito. O Dr. me prescreve os medicamentos necessários para a expulsão das pedras. Com a tranquilidade de saber que o pior já passou volto para o albergue e descanso o resto do dia.
Segurando a onda
Se eu pensava que dez dias de meditação seriam complicados é porque eu não sabia o que viria depois...
Na manha que sai do centro vipassana comecei a sentir a mesma dor na região inferior das costas. Estava acompanhado de outros estudantes, uma senhora de Goa chamada Deborah e o senhor Namit, de Jodhpur. Tínhamos planejado uma volta pela cidade e logo almoçar na casa do Sr. Namit. No caminho a dor começou a ficar mais intensa e pedi que me acompanhassem ao albergue. Chegando lá tomei um analgésico e almocei. Uma hora mais tarde a dor aumentou. Tentei entrar em contacto com o meu padrasto, que é clínico geral, mas não consegui. Liguei então para a minha madrasta que também é médica. Ninguém respondeu o telefone. Decidi entrar em contacto com a Deborah e lhe expliquei a situação. Ela se prontificou a passar numa farmácia para comprar um combinado de analgésico, antiflamatório e relaxante muscular. Nesse intervalo de tempo recebi a ligação da Tatiana, mulher do meu pai. Explico a dor e os sintomas e ela conclui que é muito provável que seja uma pedra no rim. A dor continua e não encontro nenhuma posição confortável. Depois de 5 horas ineterruptas de dor, vomito. Nesse momento a senhora de Goa chega com os medicamentos. Trouxe também um Spray. Ao aplica-lo sinto um pouco de alívio, mas o efeito dura pouco. Consigo entrar em conctato com o meu padrasto e ele também confirma o diagnóstico feito pela Tatiana. Me disse para ir à uma farmácia e comprar um comprimido chamado Tramadol. O filho do dono do albergue se oferece para me acompanhar em sua moto. No começo não gosto muito da ideia já que uma viagem em moto não seria muito agradável nessas condições. No final, com a esperança de encontrar algo que acabasse com a dor, aceito. Subo na garupa e partimos. Na primeira parada nada, na segunda portas fechadas. Nesse momento ele me pergunta se não prefiro ir a um "mágico" para que possa ser examinado. Respondo que preferiria tentar um pouco mais. Na terceira tentativa, bingo. Ao chegar no albergue tomei o comprimido, mas na verdade já me sentia bem melhor. Parece que o passeio de moto acomodou a pedra de uma forma que não a sinto. Acciono o seguro saúde. Amanha hospital e exames. Que divertido...
Na manha que sai do centro vipassana comecei a sentir a mesma dor na região inferior das costas. Estava acompanhado de outros estudantes, uma senhora de Goa chamada Deborah e o senhor Namit, de Jodhpur. Tínhamos planejado uma volta pela cidade e logo almoçar na casa do Sr. Namit. No caminho a dor começou a ficar mais intensa e pedi que me acompanhassem ao albergue. Chegando lá tomei um analgésico e almocei. Uma hora mais tarde a dor aumentou. Tentei entrar em contacto com o meu padrasto, que é clínico geral, mas não consegui. Liguei então para a minha madrasta que também é médica. Ninguém respondeu o telefone. Decidi entrar em contacto com a Deborah e lhe expliquei a situação. Ela se prontificou a passar numa farmácia para comprar um combinado de analgésico, antiflamatório e relaxante muscular. Nesse intervalo de tempo recebi a ligação da Tatiana, mulher do meu pai. Explico a dor e os sintomas e ela conclui que é muito provável que seja uma pedra no rim. A dor continua e não encontro nenhuma posição confortável. Depois de 5 horas ineterruptas de dor, vomito. Nesse momento a senhora de Goa chega com os medicamentos. Trouxe também um Spray. Ao aplica-lo sinto um pouco de alívio, mas o efeito dura pouco. Consigo entrar em conctato com o meu padrasto e ele também confirma o diagnóstico feito pela Tatiana. Me disse para ir à uma farmácia e comprar um comprimido chamado Tramadol. O filho do dono do albergue se oferece para me acompanhar em sua moto. No começo não gosto muito da ideia já que uma viagem em moto não seria muito agradável nessas condições. No final, com a esperança de encontrar algo que acabasse com a dor, aceito. Subo na garupa e partimos. Na primeira parada nada, na segunda portas fechadas. Nesse momento ele me pergunta se não prefiro ir a um "mágico" para que possa ser examinado. Respondo que preferiria tentar um pouco mais. Na terceira tentativa, bingo. Ao chegar no albergue tomei o comprimido, mas na verdade já me sentia bem melhor. Parece que o passeio de moto acomodou a pedra de uma forma que não a sinto. Acciono o seguro saúde. Amanha hospital e exames. Que divertido...
reflexao
Estar na Índia:
Bem bacana
Praticar Vipassana Meditation:
Muito bom, mas trabalho duro
Estar em qualquer lugar no mundo e descobrir uma pedra no rim:
Insuportável
Bem bacana
Praticar Vipassana Meditation:
Muito bom, mas trabalho duro
Estar em qualquer lugar no mundo e descobrir uma pedra no rim:
Insuportável
lunes, 6 de septiembre de 2010
Viagem ao Interior - Mester of the Mind
Meu voto de silêncio terminou hoje. Foram 10 dias vivendo como um monge. Dez dias praticando e experimentando Vipassana. Vipassana é um tipo de meditação que é feita através da observação individual e tem como objectivo alcançar a iluminação. Para que esse estado seja alcançado o indivíduo tem que aplicar na sua vida do dia-a-dia alguns conceitos e valores determinados. Antes de começar a narrativa da minha experiência quero esclarecer alguns pontos. Desde a minha adolecencia eu nunca fui uma pessoa religiosa e nunca busquei nenhum tipo de realização espiritual. Acredito que religiões e seitas são utilizadas para suprir a necessidade de respostas sobre o desconhecido e também para amenizar a dor de uma triste existência. É mais fácil esperar a intervenção divina do que correr atrás de uma vida melhor. Outro ponto que gostaria de deixar claro é como descobri esse curso. Seguindo minha política de não fazer planos eu não tinha procurado nenhuma informação sobre cursos de meditação, por mais que estivesse interessado em fazer algum durante a minha estadia na Índia. Em uma conversa com Paul ele me contou que frequentou um curso no qual ensinavam a meditação praticada por Gotama the Buddha. Esse fato foi o suficiente para convencer me de que esse era o tipo de meditação que eu experimenta ria. Depois de enviar o pedido de inscrição ele me contou que não terminou o curso. No mesmo dia fico sabendo que um amigo que mora em Sampa também tinha frequentado e abandonado o mesmo curso. Até então não entendia o porque os dois recomendavam algo que não haviam concluído.
Haviam outras regras , entre as quais: Pontualidade, voto de silêncio, nenhum tipo de integração entre os participantes(recomendaram caminhar olhando para o chão), proibido o uso de qualquer aparelho electrónico, proibido livros e qualquer objecto que possa distrair a mente, separação entre homens e mulheres, ..., proibida a pratica de qualquer actividade física(excepto caminhar). Os horários a serem seguidos eram:
04:00 acordar
04:30-06:30 meditação
A organização do centro providência todo o necessário para a estadia e tudo é de graça. Caso o aluno deseje é possível realizar uma doação no último dia. Me explicou que para aprender o verdadeiro Dhamma(caminho à iluminação) é necessário viver da doação de terceiros e também se comprometer completamente ao programa durante a sua duração do mesmo.
Cheguei em Jodhpur as 08:00 do dia 25/10. Tinha que estar no "Meditation Center" antes das 16:00. Como decidi que iria passar alguns dias na cidade depois do termino das aulas preferi ir a um cyber-cafe para tomar café da manha e actualizar algumas coisas na net. Quatro horas mais tarde já não tinha nada mais o que fazer, então subi em um "auto" e fui para o centro. Chegando lá fui recebido por um ajudante chamado Amit. Ele me acompanhou até meu quarto e me explicou as regras. Tinha que seguir 5 leis:
- não matar;
- não matar;
- não roubar;
- não praticar sexo;
- não usar drogas;
- não mentir;
Haviam outras regras , entre as quais: Pontualidade, voto de silêncio, nenhum tipo de integração entre os participantes(recomendaram caminhar olhando para o chão), proibido o uso de qualquer aparelho electrónico, proibido livros e qualquer objecto que possa distrair a mente, separação entre homens e mulheres, ..., proibida a pratica de qualquer actividade física(excepto caminhar). Os horários a serem seguidos eram:
04:00 acordar
04:30-06:30 meditação
06:30-08:00 café da manha e descanso
08:00-09:00 meditação(na mesma posição)
09:00-11:00 meditação
11:00-13:00 almoço e descanso
13:00-14:30 meditação
14:30-15:30 meditação(na mesma posição)
15:30-17:00 meditação
17.00-18:00 jantar e descanso
18:00-19:00 meditação(na mesma posição)
19:00-2030 vídeo de reflexão sobre o dia
20:30-21:00 meditação
21:00-21:30 perguntas ao professor
21:45 dormir
A organização do centro providência todo o necessário para a estadia e tudo é de graça. Caso o aluno deseje é possível realizar uma doação no último dia. Me explicou que para aprender o verdadeiro Dhamma(caminho à iluminação) é necessário viver da doação de terceiros e também se comprometer completamente ao programa durante a sua duração do mesmo.
Vipassana quer dizer insight(olhar para dentro). A técnica existe há muito tempo mas foi há 2500 anos atrás quando o príncipe Siddhattha se tornou um Buddha(ser iluminado) através dessa pratica e a partir daí foi ensinada por toda Índia e logo se difundiu pela Asia. Esse tipo de meditação não tem vínculo com nenhuma seita ou religião e pode ser praticada por qualquer pessoa independente do sexo, etnia ou religião.
Voltando a minha experiência. O ajudante veio me chamar para jantar. Comida vegetariana e sem sal, o que seria uma constante nos próximos dias. Depois do jantar uma palestra do professor e um vídeo informativo do S.N. Goenka, actual mestre Vipassana. As 20:00 fui ao quarto e esperar até a manha do dia seguinte para o começo oficial do curso.
Às quatro da manha o alarme toca. Cinco minutos depois um sino começa a soar. Sonolento me levanto, me visto e alongo um pouco. Ao entrar na sala principal vejo trinta almofadas divididas em cinco fileiras. Quatro fileiras no lado esquerdo reservadas aos homens e a restante ao lado direito para as mulheres. Em total somos 18 estudantes, todos indianos menos eu. O professor sentado no fundo da sala coloca uma fita cassete para tocar. É uma gravação do Goenka na qual ele explica os primeiro passos da técnica. Ao longo do dia as horas de meditação consistiram em observar a respiração natural(pelo nariz e sem forçar um ritmo). A minha mente se acalmou rapidamente e na mesma velocidade o meu corpo começou a reclamar das dores musculares. Normal, era a primeira vez na vida que meditava e há anos que não pratico nenhum tipo de actividade física. Quando volto para o quarto as 21:30 tomo uma ducha e apago.
No segundo dia acordo sem dificuldades mas ainda sinto uma leve dor nas costas. Hoje, além de observar a respiração tenho que estar atento à entrada e saída do ar. As dores nas pernas são muito forte mas decido bancar o macho e as ignoro. Me surpreendo ao perceber que já fazem mais de 48 horas sem nicotina e não tenho nenhuma vontade de ascender um cigarro. Ao final do dia peço ao professor autorização para sentar me junto à parede para apoiar as costas em caso de muita dor. Ele autoriza. Os vídeos do mestre as 19:00 inspiram confiança e vontade de seguir esforçando-me a dominar a minha mente.
Do terceiro ao quinto dia passamos a observar sensações na região do rosto, principalmente no nariz e acima do lábio superior. Nos ensinam que nada é permanente. Todas as sensações vem e vão e todas elas, sejam positivas ou negativa, são iguais. Durante esses dias a minha postura melhora e as dores apesar de presentes não afectam a minha concentração. Já me acostumei com os horários e tenho acordado sem o despertador. É impressionante como o corpo muda tão rapidamente.
O sexto dia veio e com ele vários sentimentos. Insegurança, raiva e vontade de desistir. A dor física aumentou e minha mente tentava me convencer de arrumar minhas coisas e sair dali. Ao final do dia procurei o professor e expliquei a situação. Ele riu e disse: "Just like the body sensations your emotions will come and go. And this need of running away is nothing more than your old lifestyle trying to recover control. Work patiently and persistently." Fui ao quarto e meditei deitado, adormeci.
Acordei no sétimo dia me sentido melhor e decidi ir até o final. O calor estava insuportável, algo em torno aos 35 graus, e a concentração era difícil. Insisti por um tempo mas também não lutei muito já que nessa altura do campeonato já estava convencido que a melhor atitude é a da observação e não a da reaçao. Com essa mentalidade os últimos dias se passaram. Bons e maus momentos se entrelaçavam e eu os observava. Senti que minha meditação ficou mais forte e que controlava melhor a minha mente. Estava pronto para concluir o curso sentindo muita positividade.
Na manha do décimo dia, na última hora de meditação uma dor começou a me incomodar. Sentia uma palpitação na altura do rim direito como se fosse uma dor no lombar muito forte. Em dez minutos me levantei e se tornou insuportável. Me levantei e me dirigi à porta. O assistente me seguiu e apontou ao meu lugar. Olhei no fundo de seus olhos e nesse momento a intensidade da dor era tanta que lágrimas começaram a brotar de meus olhos. Ele entendeu que era sério e me acompanhou a sala ao lado, aonde poderia meditar deitado. Ao terminar essa sessão fui ao quarto e tomei um Tilenol. Em meia hora a dor começou a diminuir e logo passou. O professor ao me ver sorriu. Logo me disse que tinha muita sorte porque dores tão intensas significam que a mente esta purificando feridas muito graves. Cheguei até a noite sem nenhuma dor. Agora só faltava assistir um vídeo e ir para a cama. Arrumei o mochilao e tomei um banho demorado. Acordei na manha seguinte com muita satisfação por ter concluído esse intensivo. Foi uma das experiências mais significativas da minha vida. Não pela meditação em si mas pelo auto-controle e pela superaçao das dificuldades. Recomendo essa prática a todas as pessoas, mas tenham em mente que o esforço físico é enorme então vale a pena uma preparação prévia. Dez dias sem fumar, sem falar, sem comunicação, sem distraçoes e em pleno contacto comigo mesmo. Concordo com o que Goenka falou no primeiro video: "Even if you finish the course knowing that you won´t do vipassana never again you´ll go out being the Master of your Mind"
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